Em Macaé, mais de 19 mil pessoas vivem na miséria, segundo estudo do IBGE
Pesquisa do IBGE mostra que cidade tem um índice de miséria pior do que a média nacional. Enquanto prefeito banca mais de cinco mil assessores ganhando até R$ 10 mil, 9,3% da população vive abaixo da linha da miséria
Longe das propagandas do governo que só mostram fotos aéreas da Praia, a realidade de Macaé é esta: boa parte da população em favelas
Enquanto secretários municipais e assessores com salários próximos a R$ 10 mil tomavam Uísque importado em um sofisticado restaurante da Orla da Praia dos Cavaleiros, no último dia 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgava o que, talvez, seja o maior o paralelo da desigualdade social do Brasil. O resultado do estudo “Indicadores Sociais Municipais” apontava Macaé como uma das cidades mais ricas e miseráveis do país ao mesmo tempo. Rica devido ao suntuoso orçamento anual de R$ 1,5 bilhão que permite extravagância como um convênio de R$ 16 milhões de reais com o Flamengo e a manutenção de mais de três mil assessores, ganhando entre R$ 3 mil e R$ 10 mil. Miserável porque, segundo o IBGE, 9,93% de sua população residente, ou seja, 19.700 pessoas estão abaixo da linha da miséria.
A linha da miséria, ou "linha da pobreza" como é chamada em outros indicadores sociais é o limite determinado por um orçamento familiar igual ou inferior a R$ 70 por pessoa. No Brasil, segundo o IBGE o índice de miséria (proporção de pessoas nesta faixa em relação à população residente total) é de 8,5%. O índice no Sudeste é de 3,4%, enquanto a média de miseráveis no Estado do Rio de Janeiro é de 3,7%. Ou seja, Macaé, mesmo tendo um dos maiores orçamentos per capta do país consegue ter um índice de miseráveis maior do que a média nacional.
Regionalmente, Macaé também não está bem no ranking da miséria, ficando atrás de Rio das Ostras, que tem o melhor índice regional (4,20%); Quissamã (4,81%) e Carapebus (6,82%). Apenas as cidades de Conceição de Macabu, que tem o pior índice regional (30,28% de miseráveis) e Casimiro de Abreu (11,4%) ficam à frente de Macaé. Sendo que Macabu tem um atenuante: de todas as cidades da região ela é a única que não recebe royalties.
Muito dinheiro pelo ralo — Somado os sete anos de governo Riverton (quatro do primeiro mais três do segundo mandato), a administração municipal teve em mãos um orçamento superior a R$ 8 bilhões de reais. Subtraindo deste bolo uma média de 40% de custeio (manutenção de prédios, pagamentos de funcionários, etc) o prefeito teve nas mãos aproximadamente 3,8 bilhões de reais para investimentos. Mas muito pouco, ou quase nada foi feito
O que era ruim agora piorou
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